
Luiz Gabriel Vaz: Primeiro responsável pela torre do Aeroporto de Concórdia
Após 70 anos da abertura do Aeroporto de Concórdia, poucas pessoas ainda sabem como ele surgiu.

Chegada da Família Negro Vaz no Aeroporto de Concórdia - Na foto Ana Negro Vaz
Nascido em 11 de agosto de 1934, em Quatiguá (PR), Luiz Gabriel Vaz iniciou sua carreira no Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) em 20 de dezembro de 1948, aos 14 anos de idade. Como telegrafista, trabalhava na transmissão de mensagens por código Morse, principal sistema de comunicação de longa distância da época.
Após esse ano, começou a frequentar Sertanópolis em 1951 para começar seu curso de meteorologia e rádio comunicação no Campo de Pouso de Sertanópolis (Aeroporto Municipal de Sertanópolis), onde acabou conhecendo a Ana Negro, a qual trabalhava na Loja de Ferragens João Negro Júnior, onde ia com periodicidade para comprar itens de elétrica.

Campo de Aviação - Sertanópolis (1951)
Após 5 anos, 9 meses e 17 dias de serviço, deixou oficialmente os Correios em 7 de outubro de 1954. Pouco mais de dois meses depois, em 25 de dezembro de 1954, casou-se com Ana Negro, em Sertanópolis (PR), já registrado oficialmente como radiotelegrafista, iniciando sua carreira na aviação.
No início de 1957, mudou-se para Foz do Iguaçu (PR), onde passou a atuar como radiotelegrafista no Aeroporto de Foz do Iguaçu (PR). Em outubro de 1957, foi transferido para o Aeroporto de Erechim (RS), exercendo as funções de aeroviário e radiotelegrafista, permanecendo na cidade até 1962. Nesse ano, foi transferido para o Aeroporto Sant'Ana, em Ponta Grossa (PR), dando continuidade ao trabalho nas comunicações aeronáuticas. Foi em Ponta Grossa que conheceu Omar Fontana, fundador da Sadia Transportes Aéreos, que o convidou para integrar a equipe responsável pelas operações aéreas em Concórdia.
A mudança para Concórdia (SC), junto com Ana Negro Vaz e seus três filhos: Luiz Gustavo Negro Vaz (10), Marcos Aurélio Negro Vaz (3) e Luizana de Cássia Negro Vaz (1), ocorreu no início de 1968 para trabalhar no aeroporto de Concórdia pela Sadia S/A Transportes Aéreos.

Família de Ana Negro Vaz desembarcando no aeroporto de Concórdia para visitar.
Já em 18 de julho de 1969, Luiz Gabriel aparece em documentos oficiais da cidade exercendo a profissão de telegrafista e, em 1º de agosto de 1971, foi admitido pela Transbrasil Linhas Aéreas como Rádio-Telegrafista de Terra, permanecendo na empresa até 31 de maio de 1977.

Título físico da propriedade de 187 ações ordinárias nominativas da Transbrasil, emitido em 27 de novembro de 1972 em nome de Luiz Gabriel Vaz
Na sequência, trabalhou na Rio Sul Serviços Aéreos Regionais (1977–1984), retornou à Sadia Concórdia S.A. Indústria e Comércio (1984–1986) como Rádio-Telegrafista de Terra e encerrou sua carreira na Concórdia Táxi Aéreo Ltda. (CTAL) em 1986 até falecer em 17 de outubro de 1997.
Desde a sua chegada em Concórdia que Luiz Gabriel desempenhou o trabalho que marcaria definitivamente sua trajetória. Na época, o aeroporto possuía uma torre de comunicação que concentrava toda a infraestrutura necessária para garantir a segurança e a viabilidade das operações aéreas regionais.
Muito antes dos sistemas automatizados atuais, era dessa estação que partiam as comunicações entre solo e aeronaves e de onde eram transmitidas informações meteorológicas essenciais para os pilotos.

Torre do Aeroporto de Concórdia onde hoje é a Parmaline Alimentos
Nas décadas de 1960, 1970 e parte dos anos 1980, a aviação funcionava de forma muito diferente da atual. Não existiam GPS, internet, satélites de navegação civil acessíveis ou sistemas digitais capazes de informar automaticamente a posição das aeronaves. Grande parte da segurança dos voos dependia da comunicação por rádio entre pilotos e estações terrestres, além da precisão das informações meteorológicas transmitidas antes e durante cada operação.
No Aeroporto de Concórdia, esse trabalho era realizado a partir da torre de comunicações, um centro técnico que concentrava todos os sistemas necessários para manter o aeroporto em funcionamento. O local reunia transmissores e receptores de rádio VHF, painéis de controle de frequência, equipamentos de telefonia operacional, fontes de alimentação, baterias de emergência e uma estação meteorológica completa. Instrumentos como anemômetros e anemógrafos mediam continuamente a velocidade e a direção do vento, enquanto outros equipamentos permitiam acompanhar as condições atmosféricas e transmitir essas informações aos pilotos em tempo real.

Equipamentos da Torre do Aeroporto de Concórdia. Hoje estão no Memorial Attilio Fontana
Foi exatamente essa a função desempenhada por Luiz Gabriel Vaz. Depois de iniciar sua carreira nos Correios como telegrafista e especializar-se em radiotelegrafia e meteorologia, ele levou esse conhecimento para a aviação. Em Concórdia, operava equipamentos como os preservados atualmente e utilizados pela Sadia Transportes Aéreos e pela Transbrasil, garantindo que cada aeronave recebesse informações corretas sobre as condições meteorológicas, o estado operacional do aeroporto e os procedimentos necessários para uma operação segura. Mais do que um operador de rádio, Luiz Gabriel era parte essencial da infraestrutura que permitia conectar Concórdia ao restante do Brasil por via aérea.
Hoje, esses equipamentos são testemunhos de uma época em que a tecnologia dependia diretamente do conhecimento humano. Cada transmissor, receptor, indicador de vento e painel de controle representa um período em que a segurança dos voos estava nas mãos de profissionais como Luiz Gabriel Vaz, cuja competência técnica foi decisiva para o desenvolvimento da aviação regional e para a consolidação do Aeroporto de Concórdia como um dos principais polos aéreos do Oeste Catarinense.
